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Sou onívora e gosto de carne. Como todos os tipos e aprecio muito as partes consideradas menos nobres, como coração, fígado, rim e cérebro. Adoro um bom hambúrguer e sei de onde ele vem.
Minha filha também sabe. Sabe que o bife é boi, que a linguiça é porco e que a coxinha é frango. E que todos um dia tinham cara e vida. E que a vida deles é que ajuda a mantermos a nossa. Não quero que ela seja aquele tipo de comedora cega, que engole a carne mas tem dó do bicho. Tem dó? Não come, oras. E preserva seu karma intacto.
Eu leio muito sobre o assunto e já li coisas horrendas sobre os matadouros. Discursos acerca do sofrimento dos animais, sobre o sacrifício da vida deles pela nossa gula, relatos de tortura e maus tratos. E por que gosto de ponderar as coisas, por não aceitar todas as verdades, eu quis ver como é na realidade. Assistir e vivenciar o momento em que o boi vira só carne. E tirar esse item do meu bucket list.
Tatu no corredor
O matadouro que eu visitei é de cidade pequena, controlado pela prefeitura local. A prefeitura mantém o espaço e os empregados. Os criadores de gado levam os bois e vacas lá para o abate – desde que sejam cadastrados, paguem uma taxa de serviço e manutenção e se submetam às normas sanitárias e veterinárias do local, que sempre são rígidas.
Ao chegar lá, recebi uma roupa branca, capacete e botas. Para entrar no local de abate tive que lavar bem as botas e as mãos com sabonete especial e bastante água. Este procedimento é obrigatório para todos, mexendo ou não nos animais.
Tatu from where I stand, uniforme da matança edition
Lá dentro, fui acompanhando todo o processo, que é assim: os animais chegam de caminhão e são separados em currais, para que os funcionários do matadouro não percam o controle de que bicho pertence a qual produtor. Saindo do curral, o boi (ou vaca) segue por um corredor que o leva a um chuveiro. Lá ele toma um banho com água clorada para ficar livre de impurezas externas.
Depois do banho, o boi entra no box para atordoamento. O equipamento de atordoamento normalmente usado é a marreta pneumática, com pino retrátil, que é aplicada na parte superior da cabeça dos animais. Em um instante, o pino perfura o osso do crânio e destrói parte do cérebro do animal, deixando-o inconsciente. O boi cai na hora, é tudo muito rápido. Logo após vai ser realizada a sangria.
Alguns bois na fila se assustam, mas é por causa do barulho. Imagina só como soa um bicho de 500 quilos tombando? Mas passa rápido o susto, é que nem você quando ouve barulhos apocalípticos no céu. O espanto passa com o tempo.
Tatu futuro mocotó
Depois de tombado, o boi é pendurado pelas patas traseiras e entra para o processo de sangria e depois de esfola (retirada da pele que é iniciada manualmente e finalizada em uma máquina), a pele é toda preservada e segue para os curtumes. Em seguida abre-se o animal para evisceração e corte das partes - as vísceras, cabeças e outros pedaços não comestíveis por humanos serão usados para fabricação de ração ou adubo. Cada funcionário cuida de uma etapa e o processo todo é acompanhado pelo veterinário responsável.
É papel também do veterinário avaliar os bois recebidos para o abate, garantindo que nenhum deles tenha doenças ou infecções que o impeçam de ser seguro para o consumo. Bois (e vacas) que aparecem doentes no matadouro são recusados ou condenados. No caso das vacas, também é importante verificar se não estão prenhas.
Tatu futura bolsa
Depois que o boi é eviscerado ele é serrado ao meio, e assim será pesado e resfriado antes de seguir para o açougue. Lugar onde você vai compra-lo já todo em pedaços e nem vai lembrar que um dia aquela carne mugiu (ou não ia, até ler esse texto...).
Eu vou lembrar, por que a carne merece que a gente pense nela. Eu fui, eu vi e vou continuar comendo carne. E respeitando a carne que como, escolhendo comprar de bons produtores, que também respeitem a vida que eles cuidam e que eles tiram.
E é isso, vida e morte sempre à nossa mesa. Podem começar a jogar pedras todos os vegetarianos radicais. Eu aguento, sou forte (por que como carne ; ) ). Para vocês, esta passagem do livro Escola dos Sabores, da Erica Bauermeister:
“Se você para pra pensar, todas as vezes que preparamos qualquer comida nós interrompemos um ciclo de vida. Quando colhemos uma cenoura, ou matamos um caranguejo – ou talvez quando paramos o processo do bolor que atua sobre uma fatia de queijo. Nós fazemos refeições com estes ingredientes e com isso damos vida a algo mais. É uma equação básica, e se fingirmos que ela não existe iremos perder uma outra lição importante, que é o respeito aos dois lados dessa equação.”
No mundo da comida uma coisa muito feliz é a possibilidade de se compartilhar alegrias e comemorar junto com um simples abrir de panelas. Você não precisa estar naquele país, ter aquela religião, falar aquela língua nem nada. Basta achar uma ocasião que te acolha e uma boa receita e pronto! Você já faz parte da festa.
O Cinco de Maio é uma festa Mexicana comemorada por Americanos. É, eu também não entendo como isso funciona, mas pelo que leio e vejo parece que a coisa é muito animada e o orgulho que ela transmite é gostoso demais de se ver. E de se comer. E de se beber.
Para entrar no bonde do Cinco de Maio e celebrar uma cultura que é das minhas preferidas, preparei essa Margarita de Cinco. A bebida símbolo do México em versão festiva, para acompanhar com nachos e salsa ao som de Mariachis!
Estevam Romera margarita! com borda de sal rosa e pimenta vermelha
Margarita de cinco
60ml de tequila
30ml de contreau
30ml de suco de limão
15ml de mezcal
sal para a borda
Prepare o copo passando na borda a casca do limão espremido e mergulhando a borda no sal. Se quiser, enriqueça o sal com pimenta moída, fica jóia. Em uma coqueteleira coloque algumas pedras de gelo e adicione a tequila, o contreau, o suco de limão e o mezcal (pode omitir o mezcal se não tiver em casa). Chacoalhe, despeje no copo sem o gelo e festeje!
Antigamente, num mundo sem geladeiras e freezers e adegas domésticas, conservar os alimentos era um grande desafio. As curas com sal, as compotas açucaradas e os confits em gorduras, que hoje são caprichos culinários e tradições, antes eram alguns dos únicos modos de prolongar a vida das comidas.
Dizem que o pesto foi inventado assim. Uma mistura de azeite e alho que buscava bom uso e vida longa para o manjericão, uma erva que padece tão rapidamente fora de boas condições. Hoje, o pesto perdeu essa conotação de conservação e ganhou nossos corações como um dos molhos mais versáteis e aromáticos que há.
Escolhi o pesto para testar o novo Azeite Cardeal que ganhei. Usei o de 0,3% de acidez, que é bem picante – mas suspeito que o de 0,2% de acidez (ideal para massas) teria ficado muito bom também. Descobri tudo isso no Guia de Azeites Cardeal, que é bem bacana. Conta sobre a fabricação do azeite, tem dicas de uso e de degustação.
Tricia Vieira guia de azeites Cardeal
O conteúdo deste guia pode ser encontrado lá no site de Cardeal, que também traz muita informação sobre o azeite e seus usos. Visite, conheça, eleja qual o seu azeite preferido da linha e aproveite para preparar um pesto delicioso como este, para ser usado em massas, com carnes, em vegetais grelhados, no pãozinho tostado...
Tricia Vieira pesto e pássaro
Pesto
1 xícara de folhas de manjericão
½ xícara de queijo parmesão ralado
¼ de xícara de pinoles
1 dente grande de alho
uma pitada generosa de sal
1/3 de xícara de azeite
Pesto clássico é feito no pestello, aquele pilão de esmagar temperos. O molho fica delicioso feito nele, mas dá um trabalhão. Eu faço meu pesto com a ajuda do mixer.
Esmague juntos o manjericão e o alho. Adicione aos poucos o azeite e em seguida misture o queijo. Por fim, tempere com sal e adicione os pinoles. Deixe alguns pinoles inteiros, se quiser, para entreter o paladar.