13

Jan

2012

Doce Sriracha

em: doce receitas


O mundo se divide em dois tipos de pessoas: as que amam pimenta e as que não suportam e choram. E eu não sou de chorar não...
 
O tipo 1 de pessoas, os amantes da pimenta, sobem no alto da Escala de Scoville, aquela que mede o ardido das ardidas, sempre em busca de novas emoções. Uma busca que também pode acabar em choro, mas um choro de outro tipo, um choro bom, de conquista e desbravamento.
 
Imagino que quanto mais alto o ardor alcançado piores são as alterações papilares e neurais. E por vezes a loucura pela pimenta e pela saciedade do paladar ardido leva as pessoas a testarem coisas doidas e inusitadas, como um bolo com cobertura de pimenta. 
 

Tatu
esse é o Sriracha, meu amor
esse é o Sriracha, meu amor

 
Este é um bolo de cenoura básico e clássico, mas com cobertura picante gostosíssima de Sriracha, um dos meus molhos de pimenta preferidos. O Sriracha é quase um ketchup feito de pimentas ao invés de tomates, está em 2.200 na escala de Scoville, é bem forte. 
 
A cobertura suaviza o Sriracha, e mesmo quem ainda não tem alucinações que misturam doces e pimentas na cabeça vai gostar de provar. 
 

Tatu
bolinhos cenoura sriracha
bolinhos cenoura sriracha

 
Bolo de cenoura e Sriracha
 
bolo de cenoura
. 2 cenouras grandes
. 4 ovos
. 250ml de óleo de canola
. 300g de açúcar
. 200g de farinha de trigo
. 50g de farinha de trigo integral
. 1 colher de sopa de fermento em pó
 
Bata as cenouras e ovos no liquidificador, quando estiver homogêneo junte os outros ingredientes e bata mais. Despeje a massa em uma forma média ou em cerca de 12 forminhas de muffin. Asse em forno preaquecido na temperatura média até o bolo crescer, dourar e passar no teste do palito. Cubra com a cobertura de pimenta. 
 
cobertura de Sriracha 
. 300g de cream cheese
. 150g de açúcar de confeiteiro
. 100ml de creme de leite fresco
. Sriracha a gosto
 
Bata o cream cheese, deixando ele liso. Junte o açúcar de confeiteiro e depois o creme de leite, batendo até obter uma boa consistência. Adicione aos poucos o Sriracha (comece com uma colher de chá) e prove, colocando mais se necessário. A cobertura deve ficar levemente picante, sem arder demais. Mantenha na geladeira até a hora de usar. 
 

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11

Jan

2012

Loop-less

em: recuerdos viagem


Feliz ano novo meu povo!

 
Cá estou eu, de volta à metrópole e ao batente depois de revigorante recesso no interior de São Paulo. Descansei, cozinhei, visitei queridos, vi vacas, fiz queijo com leite cru - jeito bom de começar um novo ano com o pé direito. Alguns destes dias passei da manhã até a tarde indo de produtor em produtor, buscando comida gostosa e fresquinha.
 

Tatu
verde, alimento pros olhos
verde, alimento pros olhos

 
Uma temporada dessas, de paz e comida viva, leva a cabeça à lonjura e é terreno fértil para diversas considerações. E uma delas me marcou: às vezes, nós perdemos o contato com a vida. 
 
Ou você vai me dizer que acordar cedo, pegar trânsito, se enfiar num escritório fechado com ar-condicionado, não saber se é dia ou noite, almoçar na frente do computador, sair tarde, pegar mais trânsito, voltar pra casa, ver tv e dormir, é vida? (pode mandar link do post pro chefe, eu recomendo)
 
Been there, done that. E te digo - tem coisa bem melhor para você fazer. 
 

Tatu
mú
mú

 
Fora do loop insano que é lugar comum nas grandes cidades, a vida de verdade é bem diferente. Você sente calor, frio, chuva, vento. Você assiste o caminho do sol, repara no jeito que ele a cada punhado de horas se move e dita nossa existência. Sente o calor, que quando é muito até debilita o corpo, fazendo com que a gente só consiga se jogar num canto fresco à espera de que ele vá embora e dê uma trégua. 
 
Assim, pertinho das fazendas e das plantações é mais fácil perceber como as coisas crescem, como a vida surge. O ovo que vira um pintinho, o broto da beterraba que devagarzinho vai crescendo e que demorará meses para chegar à panela. O modo como a vida é interrompida quando uma planta é cortada da terra, quando a vaca vai para o abate - e o respeito enorme e a reverência que temos que ter por cada vida que para no nosso prato. 
 

Tatu
no corredor
no corredor

 
Nas cidades de janela fechada e ar condicionado ligado, onde uma alface vem embrulhada em um saco plástico e é carregada dentro de mais um outro saco plástico é muito fácil se perder. Esquecer dos ciclos importantes que regem nossa existência aqui. 
 
Não esqueça, lembre. Do sol, do vento. Do dia, da tarde, da noite. Da hora de tomar café da manhã com o sol nascendo, de almoçar ao sol a pino, de jantar no cair da noite e do vento fresco que ela traz. Lembre da vida no seu prato.
 
Saia do loop. E viva além do ar condicionado.
 
 
Tatu
coguzin
coguzin

 

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31

Dez

2011

Fazendo diferente

em: mar receitas salada


O que nos leva a fazer sempre tudo igual? Hábito? Comodismo? Gosto? Sempre os mesmos trejeitos, os mesmos caminhos, as mesmas atitudes, as mesmas receitas. 

 
Pode ser mais fácil continuar sempre igual, pode ser cômodo não sair de onde se está. Mas qual a graça? Onde fica a criatividade? A aventura e a inspiração? A mudança para melhor, tão necessária?
 
2011 foi ano de pequenas revoluções, que podem vir a se transformar em grandes evoluções, se a gente quiser. Com a morte do Steve Jobs,  falou-se muito sobre coragem, inspiração, inovação. Grandes necessidades puramente humanas.
 
Também neste ano, as crises econômicas mundo a fora nos mostraram que é hora de mudar radicalmente nosso modo de vida, nossa agricultura, nossa economia. Quem sabe em 2012 essas mudanças chegam também?
 
No âmbito pessoal e micro, de casa, convido vocês a um 2012 de fazer diferente, de muita coragem e inovação. De quebrar paradigmas e ousar. E vai ser bom. Não espere os outros, mude você, para seu ano ser melhor e diferente. Eu sei que vou mudar muita coisa por aqui. 
 
A começar por algumas receitas, como esta - uma homenagem ao novo, a fazer diferente. Este é um camarão na moranga. Mas não é quente, é frio. Não vai queijo, vai creme azedo. É uma salada de abóboras, não de batatas. É bem diferente e por isso mesmo muito delicioso. 
 
Um ótimo 2012, cheio de boas mudanças para vocês!
 

Estevam Romera
bóbora
bóbora

 
Salada de camarão e abóbora moranga
 
para a moranga
. cascas (ou exoesqueletos) de camarões
. 1 cenoura
. 1 tomate
. 3 dentes de alho
. 1 abóbora moranga
 
para o creme azedo
. 500ml de creme de leite fresco
. suco e raspas de 1 limão
. 1 colher de sopa de manteiga
. sal a gosto 
 
para a salada
. 1kg de camarão limpo
. tomilho fresco
. 1 cebola roxa bem picada
. a parte branca de 1 cebolinha grande
 
Começe pelo creme azedo: coloque o creme de leite em uma tigela e junte a ele o suco de limão e as raspas da casca. Mexa e deixe por 30 minutos em temperatura ambiente. Coloque uma pitada de sal e leve à geladeira. Deixe resfriar por pelo menos 1h, mas é melhor fazer com antecedência de até 2 dias.  Se não tiver tempo de fazer, ou não quiser o creme azedo na receita, substitua pela mesma quantidade de coalhada seca. 
 
Para cozinhar a moranga: em uma panela, junteo as cascas dos camarões com a cenoura picada, o tomate picado e os dentes de alho. Adicione 1,5L de água e cozinhe por cerca de 40 minutos. Enquanto o caldo cozinha abra a abóbora cortando uma tampa e retirando as sementes. Despeje o caldo quente, coando-o para dentro da abóbora. Asse a abóbora embrulhada em papel-alumínio por cerca de 30 minutos em forno médio. Retire do forno e reserve. 
 
Salada e montagem: separe 1/2 xícara do caldo que cozinhou dentro da abóbora. Descarte o restante do caldo, ou congele para outro uso posterior. Com uma colher, retire pedaços da abóbora - com cuidado para manter íntegra a casa, que será o recipiente de servir. Coloque os pedaços de abóbora em uma vasilha e tempere com sal. 
 
Em uma panela, derreta uma colher de sopa de manteiga, coloque um raminho de tomilho fresco e despeje a 1/2 xícara do caldo. Adicione os camarões neste caldo e cozinhe até mudarem de cor. Retire os camarões e deixe o caldo quase secar, devolvendo os camarões para o molhinho depois. Deixe esfriar. Depois de frio, misture os camarões, os pedaços de abóbora e o creme azedo. Tempere com a cebola e a cebolinha bem picadas e ajuste o sal. Coloque a salada dentro da moranga e deixe em geladeira até a hora de servir. 
 

Estevam Romera
salada de abóbora
salada de abóbora

 

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29

Dez

2011

Reúso na cozinha

em: receitas curiosidades dicas


Gordura é item obrigatório em qualquer cozinha. Ela que dá sabor, ela que dá texturas e no final ela que ajuda a limpar toda aquela bagunça e a pilha de panelas sujas.

 
A gordura pode ser muito boa ou muito ruim. Assim como gordura demais dentro do nosso corpo entope as veias, a gordura fora do corpo e dentro dos canos e nos rios e córregos faz um mal danado. 
 
Por isso a gordura usada na cozinha deve ir para potes e não para a pia. Os potes devem ser armazenados e descartados em um local adequado (os supermercados que recebem lixo para reciclagem costumam ter postos de coleta de óleo de cozinha também). 
 
Ou você pode reutilizar seu próprio óleo. 
 

Tatu
PELIGRO! PELIGRO!
PELIGRO! PELIGRO!

 
ATENÇÃO! A receita seguinte leva um ingrediente nocivo e perigoso.  NÃO tente em casa a menos que você esteja ciente dos riscos - leia mais aqui sobre a soda cáustica. Estou avisando, faça por sua conta e risco e não venha reclamar para mim depois, oras pipocas. 
 
 
A Cleide, moça querida, trabalhadora e cozinheira de mão cheia que mora lá em Paraguaçu Paulista, me ensinou a fazer sabão com os restos de óleo da casa. A receita requer um pouco de prática, pode desandar e exige muito braço, mas é um exemplo ótimo de que a gente consegue fazer melhor, usar nossos restos, nossa inteligência e nossas mãos para produzir itens de primeira necessidade para o lar (já pensou cozinhar e não ter sabão pra limpar?) e isso sem depender de indústria nenhuma - além da que faz a soda. 
 

Tatu
Cleide querida fazendo o sabão
Cleide querida fazendo o sabão

 
E aqui vai a receita ótima da Cleide! Esse é o sabão que tenho usado em casa para as louças e panos de cozinha, feito todinho com os restos de gordura que a gente mesmo descartou. Reúso, meu povo, essa é a atitude certa. Reúso. 
 
Sabão da Cleide
 
. 3 L de óleo usado
. 2 L de sebo derretido (pegue no açougue)
. 4 L de água
. 1 kg de soda cáustica
 
Misture bem todos os ingredientes em um grande balde, com colher firme e resistente. Mexa até obter o ponto semelhante a um leite condensado. Segundo a Cleide, o sabão tem que ser mexido pela mesma pessoa e sempre no mesmo sentido, para não desandar. Depois de obter o ponto, coloque o sabão em formas e deixe secar. Depois de seco, corte em pedaços e use.
 

Tatu
sabão no ponto e depois de seco
sabão no ponto e depois de seco

 

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